"AXES: BOLD AS LOVE!"
Guitarras! Uma verdadeira paixão
na vida de quem convive com elas, dia a dia. Isso sem falar no número
cada vez maior de colecionadores dessas beldades, quer sejam eles músicos
ou não. Há controvérsias quanto a quem teria "inventado"
a guitarra e, ainda, quanto a quem a teria efetivamente fabricado pela
primeira vez. Rickenbacker, Dobro, Viv-Tone e Gibson foram as primeiras
companhias, na década de 30.
Em 1949 a Gibson lançou a ES-175 que, além de ter se tornado
um clássico, é hoje o modelo mais antigo em produção.
No entanto, até 1950, todas elas eram instrumentos "chiques",
que hoje conhecemos com Archtops - as semi-acústicas.
Foi aí que surgiu nessa cena um visionário chamado Leo
Fender.
A verdadeira revolução estava começando...
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Gibson ES175:
1949
Em 1949, nascia a primeira guitarra
que faria história: a ES175, da Gibson. Até então,
as guitarras eram essencialmente desenhadas como instrumentos
acústicos com a adição de um pickup.
A ES 75 mudou essa idéia, pois já foi conceitualmente
projetada como uma elétrica. Corpo profundo, "f-holes"
e uma única reentrância (cutaway) na parte
inferior do corpo, em estilo Florentino. Originalmente, trazia
um único captador, modelo P90 (soapbar). Em 53,
ganhou um segundo P90 e, em 57, dois humbuckings substituiram
os P90. A ES175 é comumente associada a jazzistas, mas
um dos "papas" do rock progressivo, Steve Howe (Yes, Asia),
ainda a tem como uma de suas principais guitarras até
hoje.
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Fender Nocaster, Broadcaster
& Telecaster: 1950
Como contraponto às tantas
guitarras semi-acústicas de até ntão, Leo
Fender idealizou um novo instrumento, em madeira maciça,
num lay-out simples, com 2 captadores single-coil, chave seletora
de 3 posições, além de uma série
de novos conceitos, que juntos resultaram num timbre que permanece
único até hoje, mais de 40 anos depois.Alguns
dos maiores guitarristas de todos os tempos são aficcionados
pelas Teles - Keith Richards, Albert Collins, James Burton e
Bruce Spingsteen são exemplos que vem à mente
logo de cara. O nome definitivo - Telecaster - veio em 52, substituindo
Broadcaster, nome que já era usado por um kit de bateria
da Gretsch.
O som das Teles, como já dissemos, é único.
Um a Tele plugada em um bom - e, de preferência, velho!
- amp Fender é uma combinação das mais
felizes. "People Get Ready" (Jeff Beck e Rod Stewart) é
um dos tantos bons exemplos dessa combinação -
"bonitinho" o som da guitarra naquela música, não?
Jimmy Page afirma ter gravado o solo de "Stairway to Heaven"
com uma Tele (apesar de todo mundo sempre ter achado que era
sua tão característica Les Paul), além
de ter gravado o primeiro álbum do Zepp inteirinho com
sua primeira boa guitarra... uma Tele!
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Gibson Les Paul:
1952
O modelo Les Paul foi introduzido
em 52, mas foi extremamente modificado até que se chegasse
à sua versão "Standard", o que só ocorreu
em 58, com a adição dos humbuckings, desenhados
por Seth Lover, que se tornaram "o som marca registrada" das
Les Paul - muito volume, muito sustain e nenhum hum (daí
o nome "humbucking").
A Les Paul é, provavelmente, o único modelo comparável
à Strato no que diz respeito ao termo "clássico".
Na verdade, para muitos, é dela o "definitivo" som do
Rock and Roll. Como se pode observar facilmente, esses muitos
devem estar certos. Jimmy Page talvez seja o ícone maior
dos tantos "monstros" que eternizaram a Les Paul com "a" guitarra
do Rock". Praticamente TODOS os grandes guitarristas já
usaram - ou ainda usam - uma Les Paul como instrumento básico
de trabalho. Até mesmo figuras tradicionalmete associadas
à imagem da Strato (Clapton, Beck, inúmeros) já
produziram obras-primas com uma Les Paul nas mãos. Quando
plugada em um Marshall, então, "sai de baixo" - é
PURO Rock and Roll!
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Fender Stratocaster: 1954
1954 marca o nascimento da Stratocaster.Hoje,
se você pedir pra alguém lhe desenhar uma guitarra,
mesmo pra alguém que não seja músico, ele
provavelmente vai rabiscar algo parecido com o shape
de uma Strato. Ou seja, um verdadeiro standard, a partir do
qual, um sem número de cópias foram - e continuam
sendo - geradas.
Três captadores que, originalmente, eram selecionáveis
individualmente, até que alguém descobrisse que
deixando a chave seletora nas posições intermediárias
eles proporcionavam outros dois timbres que, através
dos tempos, se tornaram os mais característicos das Stratos.
Aliás, tentar descever o som de uma Strato seria impossível.
Ela é, sem dúvida, a guitarra mais usada - e nos
mais variados setups - em todos os tempos.
O maior "inconveniente" das Stratos é que elas são
ruidosas, devido aos seus single-coils. Por um lado,
eles dão "o" som que tanto procuramos numa Strato; Por
outro, eles são "barulhentos". A indústria vem
tentando, desde o seu lançamento, resolver esse problema,
aperfeiçoando, ano a ano, os single-coils para
que não produzam esses "chiados", sem perder seu timbre
característico. Os resultados vem melhorando de modo
sensível!
Pra resumir, um clássico eterno.
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Gibson ES335:
1958
O modelo ES335 é uma combinação
única de desenhos entre o maciço e o acústico,
o que a deixa "em casa" em situações radicalmente
opostas, como o Jazz e o Rock and Roll. O projeto pretendia
reunir o "peso" do som das guitarras maciças ao feedback
das acústicas - e esse intento foi alcançado pela
ES335, com sucesso. O meio da guitarra, no seu interior, traz
uma barra sólida, onde são montados os captadores
e a ponte. Todo o resto do corpo, em proporções
simétricas, para cima e para baixo dessa barra, fica
livre para resonar, como nas acústicas.
Entre seus usuários mais famosos, está B.B.King
que, desde que começou a usá-la, não a
deixou mais. Na prática, ele passou a usar um modelo
derivado da 335, a 355. Ambas têm construção
idêntica, diferindo uma da outra pela adição,
na 355, de uma chave rotativa seletora dos pickups que
permite várias combinações entre eles.
A identificação entre B.B.King e essa guitarra
foi tanta, que ele "batizou" a sua como "Lucille". Há
alguns anos, a Gibson acabou por lançar o modelo "Lucille",
em homenagem a King. A diferença essencial entre o modelo
"Lucille" e uma 355 padrão está na ausência
dos "f-holes" na primeira.
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EVH "Frankenstein":
1977
Talvez nenhuma outra guitarra
seja tão imediatamente reconhecível e diretamente
associável a um guitarrista como essa "coisa"
aí ao lado. Não bastasse a originalidade absoluta
do "como" tocar guitarra, Eddie Van Halen trouxe consigo,
ainda, a originalidade absoluta do "que" tocar.
Construída a partir de "pedaços" de
guitarras e com uma série de "invencionices",
nascia a "monstruosidade" posteriormente apelidada
(com razões de sobra, aliás...) "Frankenstein".
Hoje, EVH pilota sua própria marca e está comercializando
réplicas desse marco na história da guitarra (em
parceria com a Fender, mas sem fazer uso da marca). As réplicas
são feitas à mão, uma a uma e, por isso
mesmo, adivinhe... custam muiiito caro. Anyway, o registro,
aqui, é mais do que merecido, afinal, esse "monstro"
continua absolutamente original, único e adorável!
http://www.evhgear.com
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Jackson Soloist: 1981
No final da década de 70,
as gigantes americanas, Fender e Gibson, viam-se obrigadas a
competir com os preços muito mais baixos dos "clones"
japoneses que invadiam a América. Consequência
óbvia, menos qualidade nos displays das lojas,
o que levou os guitarristas do mundo todo a partir para o "faça
você mesmo". Inúmeros fabricantes de partes já
ofereciam um sem-número de opções para
se "envenenar" uma guitarra, o que acabou por resultar num novo
protótipo: uma Strato "envenenada", com pickups
mais potentes, braço mais fino para proporcionar mais
velocidade e uma ponte melhor, que proporcionasse mais estabilidade
à afinação.
O ápice desse novo protótipo, o de uma "Super-Strato",
ganhou nome e sobrenome entre 81 e 82: Jackson Soloist. Essa
guitarra tornou-se o "objeto de desejo" de 10 entre 10 guitarristas
do então novo "heavy-metal". Grover Jackson, autor do
projeto, já havia se estabelecido como um excelente luthier
ao redor de 80, quando foi procurado por Randy Rhoads para lhe
construir uma guitarra. O resultado acabou se tornando um outro
clássico que veio a ser comercializado pela Jackson com
o nome de "Randy Rhoads Flying V".
O mais comum dos setups inclui um humbucking e
dois single-coils, além do sistema "Floyd Rose
locking tremolo", que se eternizou desde então como padrão
de sistemas de tremolo para os guitarristas de estilo mais veloz
(EVH, Vai, Satriani, etc.).
http://www.jackson.com |
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Paul Reed Smith Custom: 1985
"Já não fazem mais
guitarras como antigamente". Com essa frase em mente, o luthier
Paul Reed Smith "arregassou as mangas" e se pôs a fazer
exatamente isso: guitarras como se fazia antigamente. O resulltado
é o mais significante projeto dos anos 80 - hoje as PRS
já fazem parte incontestável do hall das
"mais". Entre as suas "marcas registradas", salta aos olhos
a atenção aos mínimos detalhes. O design
parte das clássicas Les Paul e Strato. O comprimento
da escala (25") é um meio termo entre elas que - finalmente!
- funcionou perfeitamente.
Ao redor de 80, "feras" como Santana e Peter Framton já
usavam guitarras feitas por Paul, ainda como luthier. Em 85,
Paul deu início à sua fábrica. Paul partiu
do princípio que o som de uma guitarra deve vir, essencialmente,
das madeiras utilizadas, quando praticamente todos os outros
fabricantes partiam dos eletrônicos. Sua opção
parece ter sido acertada. Basta "pegar" uma PRS para se entender
o que ele tinha em mente. O sistema de tremolo, embora derivado
das Stratos originais, é bastante melhorado e proporciona
ótima estabilidade à afinação.
Nas PRS a palavra "Custom" é levada realmente a sério.
O acabamento dessas guitarras é fantástico! Timbres:
as PRS, via de regra, vem com dois humbuckings, que,
de série, podem ser "splitados" para produzirem sons
de single-coils também. Não são
Stratos, Teles ou Les Pauls, são PRS; Mas, se você
quer versatilidade, sem ter de ir atrás ou mesmo de carregar
um verdadeiro arsenal de preciosidades, sua busca pode ter acabado
aqui. Não precisaria nem dizer, mas eu sou um fã
incondicional das PRS. É guitarra para toda vida!
http://www.prsguitars.com |
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Line 6 Variax: 2002
Depois de provocar uma verdadeira
reviravolta nos setups de guitarra com seus modeladores (a famosa
linha POD), a Line 6, em 2002, levou sua expertise nesse campo
para a produção de guitarras modeladoras. Nascia
a Variax.
Atualmente, na versão 700, trata-se de um instrumento
mais bem acabado, em termos de construção e tocabilidade
do que suas versões originais. De qualquer forma , o
"coração" da Variax está mesmo
em sua parte digital, em sua impressionante capacidade de "modelar"
os timbres de algumas das mais respeitadas e desejadas guitarras
de todos os tempos - algumas delas, aliás, já
comentadas aqui em cima, nesta mesma página.
Os puristas, é claro, sempre terão reservas; ainda
assim, o fato é que, em termos de versatilidade, trata-se
de um instrumento invejável.
http://www.line6.com/variax |

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A principal fonte para as informações acima foi o livro
"The Electric Guitar", de Paul Trinka, editado por Chronicle Books,
USA.
Várias outras guitarras comporiam essa página, você
sabe. Na verdade, falar um pouquinho de
cada uma das grandes guitarras ocuparia um site todo - e dos grandes!
Aliás, há inúmeros na Web.
Music Man Van Halen, Ibanez Steve Vai, Steinberger GM7, Fender Jaguar,
Fender Mustang,
Gretsch Falcon, as Rickenbacker (6 e 12), Parker Fly, as 'novidades'
Variax, da Line 6 (modelação), e por aí vai...
Espero ter dado uma boa "palhinha" sobre esse tema tão fascinante.
Confira também a página de Amps e Efeitos, é bem
legal!
Grande abraço!
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